quarta-feira, 1 de março de 2017

A correção da palavra, a condução das cenas e a delicadeza...

Domingo passado, Carnaval, chegou esta mensagem da Thais, que leu Reino das Névoas duas vezes seguidas no fim de semana prolongado.

Acabei de ler o livro. Confesso que quando cheguei à página 100 e li o título do conto fiquei triste. “Reino das Névoas”. Pensei logo: "Ah, não! Mas esse é o último conto!" Sou dessas de ter com a leitura a reverência dos que conhecem vinho. Degusto. Aí fechei o tomo. Compreenda, eram as últimas gotas da garrafa. Não queria que o líquido que me nutria acabasse.
Tentei fazer mil coisas. Liguei a televisão, fui caçar série. E o livro lá, me vigiando do sofá com um olho meio aberto, meio dormido. Rodeei, rodeei. Quando passei pela milésima vez por ele, não teve jeito. Sentei no sofá e mergulhei nele de novo. Emergi agora. Não é bom escrever estando assim, meio anestesiada. Ainda não sei se sinto calor ou se faz frio. Independente disso, faço questão de celebrar o vinho perfeito! A correção da palavra, a condução das cenas e a delicadeza, inclusive para tratar a violência. Que raro isso! Que caro! E foi criado em nossa língua! Estou orgulhosa e feliz. Parabéns, Camila! Aguardo sua próxima criação. Por favor, continue escrevendo!
Thais Procópio

Para uma escritora, não tem alegria maior que causar esse efeito numa leitora. Pode parecer vaidade, e talvez seja... Mas, quando leio um livro, busco para mim esse mesmo efeito arrebatador e fico triste quando não o encontro. Então, para mim é um prazer poder proporcionar isso a outra pessoa.

Olha, se eu estivesse a ponto de desistir da escrita, acho que as palavras da leitora teriam me feito voltar com força redobrada. Fiquei até bestinha de emoção. Muito obrigada por isso, Thais!

quarta-feira, 30 de março de 2016

Esse espelho monstruoso em formato de livro


Sobre Reino das Névoas, já recebi resenhas bonitas, resenhas lindíssimas. Mas esta me agarrou pelos colarinhos com meia dúzia de cebolas e várias facas bem afiadas! Talvez porque não seja exatamente uma resenha e sim uma impressão pessoal, mais relacionada ao que a leitora sentiu do que à história como eu a contei.

O fato é: chorei, gente.

Preciso agradecer à Mit Siqueira e a todas as outras pessoas que não só compraram o livro como o leram e fizeram questão de contar que gostaram. Não há nada mais gratificante para quem escreve do que saber que a mensagem chegou ao destinatário certo. Obrigada!
Duvido de você nunca ter acordado exultante depois de um sonho bom ou apavorado por causa de um pesadelo aterrador. Também duvido de você nunca ter feito sonhar ou ter sido o protagonista dos pesadelos de alguém. Sim, somos feitos de dualidade, opostos de nós mesmos. Somos a fera que sangra com a flecha no peito e a princesa que chora de arrependimento por ter tramado a ferida. Aquele sangue é meu, aquela flecha é minha, eu me assumo vítima e agressora de mim mesma e de outrem. Sim, sou ré confessa. 
E, no caminho de redenção e volta (vale a pena voltar?), por vezes perdemos um sapato, um vestido e a dignidade depois de tentar agarrar à força o que julgamos nos pertencer; nem sempre conseguimos, mas não resta dúvida: crescemos. A emboscada da floresta escura pode, sim, nos levar a uma clareira de paz, a uma lufada de ar fresco. E assim seguimos andando, ferindo e sendo feridos, titubeando desconfiados, mas nunca perdendo a coragem de enfrentar esse reino de névoas chamado vida.
Em tempo, Camila, nunca terei palavras para agradecer por você ter compartilhado comigo esse espelho monstruoso em formato de livro. Deixo aqui o meu desejo de que a monstruosidade do Reino das Névoas ainda cause muitos estragos arrebatadores por aí. 
Mitsue Siqueira, tradutora

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Nova resenha no blog Translittera, do Cleber Pacheco!

Nada deixa uma escritora mais feliz que ver os leitores contentes. Este mês, vendi alguns exemplares de Reino das Névoas a diversos leitores e um deles, o Cleber Pacheco, que também é escritor, escreveu uma resenha breve e muito positiva sobre o livro no seu blog, o Translittera. Valeu, Cleber!

Contendo sete histórias e belas ilustrações da própria autora, O Reino das Névoas se sai bem em sua proposta de ser um livro de contos de fadas para adultos. 
A autora acerta em não se limitar a apenas fazer releituras, paráfrases ou paródias dos tradicionais contos de fadas. Ela cria um mundo próprio e o desenvolve, criando ainda situações que resgatam o lado mais obscuro do gênero, suscitando reflexões a respeito dos relacionamentos humanos e seus conflitos e dificuldades.Mas há também lugar para soluções engenhosas em situações difíceis como no conto A Outra Margem do Rio. Ou no interessante conto que dá título ao livro, com um desfecho interessante e original. 
Confesso que minha história preferida é O Lenhador e a Sombra,extremamente delicada, bela e poética. Merece constar em qualquer antologia de Literatura Fantástica. 
Aguardemos os próximos livros da autora.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Resenha de Reino das Névoas no blog Sem Serifa!

Saiu ontem uma resenha de Reino das Névoas, feita pela Gi Pausa Dramática, no blog Sem Serifa! Uma das melhores análises que meu livro já recebeu. Valeu, Gi!
"As protagonistas femininas são fortes e complexas. (...) Reino das Névoas é um livro no qual as mulheres salvam a si mesmas, a seus maridos e a seus reinos."
O Sem Serifa, aliás, é conhecido por suas resenhas bem escritas e honestas. Vale a pena passar um tempo navegando por elas.

Passem por lá para conhecer o blog e conferir a resenha toda!

sábado, 4 de julho de 2015

ProAC?

Graças à perspicácia da Gi Pausa Dramática, hoje vou corrigir uma falha neste blog: não há nada aqui explicando que negócio é esse de lançar livro com o apoio do ProAC. Eis minha experiência:

Todo ano a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo publica os editais do ProAC (Programa de Ação Cultural), oferecendo apoio financeiro para a realização de obras de literatura, teatro, dança, circo, etc.

Em 2010, inscrevi o projeto de Reino das Névoas no ProAC e ganhei uma das bolsas para publicação de livros. Não sei como estão as regras hoje, pois as coisas mudam a cada ano. Se você tiver interesse em participar desses editais, fique de olho no site da Secretaria da Cultura. (Em 2015 não teve edital de literatura, infelizmente! Mas quem sabe ano que vem?) Mas, na época, o procedimento era assim: preenchia-se uma ficha com informações sobre o livro, explicando, entre outras coisas, por que o autor achava que ele devia ser publicado; anexavam-se cópias dos documentos pessoais do autor, um orçamento dos serviços nos quais pretendia investir o dinheiro da bolsa e um cronograma de até seis meses do projeto, que poderia ser prorrogado por mais 90 dias, se necessário. Finalizava-se com uma amostra de 10 páginas prontas do material. Aí, era esperar e torcer para o seu livro estar entre os escolhidos (ao todo, 30, se não me engano).

O que se ganhava era uma bolsa de 15 mil reais para viabilizar a publicação do livro. Isso significa pagar pelos serviços estimados no orçamento: revisão, capa, diagramação, impressão, etc. Meu projeto foi selecionado. Finalizei o conto que ainda faltava, fiz as ilustrações, mandei para a revisão, depois para a diagramação. Mas produzo devagar e, claro, precisei pedir os 90 dias a mais, que o pessoal da Secretaria da Cultura concedeu. A equipe, aliás, foi sempre muito gentil e atenciosa ao me atender quando precisei tirar dúvidas.

Os ganhadores poderiam publicar da forma que quisessem, com uma editora ou por conta própria. Eu já tinha portas abertas para publicar: levei o livro (e a grana) à Tarja Editorial, editora para a qual trabalhei como capista e revisora, além de já ter participado de várias das suas antologias. Reino das Névoas foi terminado e lançado em 2011, no Fantasticon. A Tarja infelizmente encerrou as atividades de publicação alguns anos depois. Mas os livros do seu catálogo, inclusive o meu, ainda estão à venda na Livraria Fora de Série.

O valor de 15 mil pode parecer alto, mas na verdade foi só o bastante. Bancou a revisão, a diagramação, um book trailer e, claro, a impressão, que é a parte mais cara. Pude investir no book trailer (que, aliás, ficou lindo; olha aqui!) porque fiz pessoalmente a capa e as ilustrações de miolo. Não previ uma remuneração para mim, esperando ganhar posteriormente com os direitos autorais das vendas pela editora e das vendas diretas que faço até hoje. Sobraram uns 500 reais. 

Assim, a ideia do ProAC não é remunerar o autor pela escrita, como era o caso da Bolsa de Criação Literária da Funarte, mas dar a ele os meios de publicar seu livro.

A exigência do ProAc era que a tiragem mínima fosse de 1.500 exemplares e 300 destes fossem entregues à Secretaria da Cultura para distribuição em bibliotecas. Para uma editora pequena e uma autora iniciante, é uma tiragem grande. Por isso é que até hoje o livro não esgotou. :-)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O que inspirou Reino das Névoas?

Hoje a leitora Natália D. perguntou se busquei embasamento em contos de fadas medievais para escrever as histórias de Reino das Névoas ou se criei tudo desde o início.

Resposta: Um pouco de cada. Em alguns textos você notará a influência clara de contos clássicos como A Bela Adormecida, Branca de Neve, O Príncipe Sapo etc. (Quem já terminou o livro sabe disso.)

Mas RdN não propõe releituras. O resto são decisões de trama que fizeram sentido para mim dentro de cada premissa, afetadas, naturalmente, pela minha bagagem cultural. Li muitos contos de fadas, mitologia e ficção, então as influências são múltiplas.

Por exemplo, O Chifre Negro baseia-se apenas na ideia medieval de que um unicórnio só poderia ser atraído e domado por uma moça pura de corpo e alma (unicórnios simbolizam inocência). Mas há quem diga que o conto lembra A Bela e a Fera, embora essa semelhança nunca tenha me ocorrido, já que o unicórnio nele é uma criatura perigosa e o objetivo da protagonista é salvar a vida do pai. Já a A Outra Margem do Rio baseia-se principalmente numa piada entre meu marido e eu (morávamos em bairros distantes um do outro em São Paulo, separados pelo Rio Tietê), mas também, mais vagamente, num conto de fadas húngaro no qual uma princesa tinha os olhos roubados.

Tudo o que lemos de mais marcante vira referência. ;-)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Nova resenha no blog Livros e Chocolate

Saiu hoje uma nova resenha de Reino das Névoas no Livros e Chocolate. A Flávia Penido, dona do blogue, me escreveu para avisar. Não bastasse a resenha superpositiva, ainda me fez ganhar o dia com estas palavras:
Menina do céu! Se tivesse mais 1 milhão de páginas eu leria lindamente sem cansar. Amei muito!
E agora eu sou um baiacu inchado de tanta vaidade. ^ ^

Confiram a resenha da Flávia abaixo. E não deixem de visitar também o Livros e Chocolate para ver outras ótimas dicas de livros!
"Reino das Névoas" reúne sete contos de fadas inspirados em alguns contos clássicos que muitos de nós conhecemos desde a infância. Talvez nem todos saibam que muitos desses contos foram modificados para uma maior aceitação pois, hoje em dia, quem iria imaginar, ou até mesmo ler a história para os filhos pequenos, que a Bela Adormecida, por exemplo, era violentada pelo príncipe enquanto dormia? Ou que a Branca de Neve não despertou de seu sono eterno com um beijo de amor verdadeiro? E imaginem a pobre Chapeuzinho Vermelho sendo devorada nua pelo Lobo Mau já que não existia nenhum caçador valente para salvá-la? 
Procurando resgatar um pouco da originalidade sem nenhuma censura destes contos, a autora nos apresenta histórias baseadas nesses contos e escritas para adultos, algumas com fins felizes e outras nem tanto, e vou ter que assumir que gostei muito mais das novas tramas criadas ou adaptadas por ela, pois colocam os personagens a prova de forma que seus destinos são traçados de acordo com atitudes que eles próprios tomam ou pelos caminhos que eles escolhem seguir. Os textos são maravilhosamente bem escritos, e nos levam até o passado, em épocas medievais, tanto pelos termos usados, pelas descrições com detalhes da medida certa de cenários ou diálogos dos personagens. A narrativa é impecável, fluída, empolgante, viciante... É impossível não se apaixonar pela forma como a autora escreve, e nem terminar um conto sem querer começar a ler o outro imediatamente. 
A capa é linda e o cuidado com a diagramação tornaram o livro uma relíquia pra mim. Cada conto trás uma ilustração feita pela própria autora, com traços perfeitos, cheios de expressão, sentimento e significado, que retrata um pouco do que a história apresenta. 
"O Chifre Negro" expõe a pureza da donzela que, por se igualar a pureza do unicórnio, seria uma arma para que ela conseguisse se aproximar dele e conseguir o que buscava, no caso, o chifre para salvar seu pai da morte... Porém, o unicórnio não é tão bonzinho como se imagina... o final é inesperado e surpreendente! 
Não consegui associar nenhum conto ao "O Lenhador e a Sombra", pois ele conta a história de um lenhador que salva uma gata prenhe e tem uma mensagem muito bacana sobre os valores e bondade. 
"A Outra Margem do Rio" é um conto muito interessante que retrata um jovem que estava a caminho de outro reino para seu casamento arranjado, mas seu pai acaba morrendo e uma bruxa oferece ressuscitá-lo em troca dos olhos do rapaz. 
"A Torre Onde Ela Dorme" foi inspirado em "A Bela Adormecida" e é o conto mais sombrio dessa coletânea. 
"A Filha do Fidalgo" é o menor conto do livro e foi baseado em "O Príncipe Sapo". É trágico, porém cômico. 
"A Espera" é um conto de amor bem poético de uma princesa a espera de seu príncipe. 
"Reino das Névoas" é o último, maior e mais trabalhado conto do livro, e foi inspirado principalmente em "Branca de Neve e os Sete Anões", e a princesa, que está se descobrindo como mulher, foge depois de saber que a própria mãe, dissimulada, egoísta e extremamente fria, mandou matá-la, porém, mesmo encontrando refúgio, ela sabe que ninguém iria escondê-la sem ganhar nada em troca... 
Histórias que envolvem e que despertam todas as emoções do leitor, com personagens marcantes e bem construídos, que trazem elementos conhecidos como cenários medievais e animais míticos ou encantados, e que nos leva a conhecer princesas que possuem personalidades fortes e que lutam por seus ideais, não importa os obstáculos, pois nem sempre a vida de um personagem de contos de fadas é perfeita, feita de sonhos, sorrisos e finais felizes... 
Reino das Névoas é um dos melhores (se não o melhor de todos), livros nacionais que já li até hoje.