Opiniões


Esta página contém opiniões e resenhas de leitores de Reino das Névoas. Que sirvam para aguçar sua curiosidade. ;-)

30. A" correção das palavras, a condução das cenas e a delicadeza..."

Acabei de ler o livro. Confesso que quando cheguei à página 100 e li o título do conto fiquei triste. “Reino das Névoas”. Pensei logo: "Ah, não! Mas esse é o último conto!" Sou dessas de ter com a leitura a reverência dos que conhecem vinho. Degusto. Aí fechei o tomo. Compreenda, eram as últimas gotas da garrafa. Não queria que o líquido que me nutria acabasse. 
Tentei fazer mil coisas. Liguei a televisão, fui caçar série. E o livro lá, me vigiando do sofá com um olho meio aberto, meio dormido. Rodeei, rodeei. Quando passei pela milésima vez por ele, não teve jeito. Sentei no sofá e mergulhei nele de novo. Emergi agora. Não é bom escrever estando assim, meio anestesiada. Ainda não sei se sinto calor ou se faz frio. Independente disso, faço questão de celebrar o vinho perfeito! A correção da palavra, a condução das cenas e a delicadeza, inclusive para tratar a violência. Que raro isso! Que caro! E foi criado em nossa língua! Estou orgulhosa e feliz. Parabéns, Camila! Aguardo sua próxima criação. Por favor, continue escrevendo! 
Thais Procópio, escritora


29. "Espelho monstruoso em formato de livro."

Duvido de você nunca ter acordado exultante depois de um sonho bom ou apavorado por causa de um pesadelo aterrador. Também duvido de você nunca ter feito sonhar ou ter sido o protagonista dos pesadelos de alguém. Sim, somos feitos de dualidade, opostos de nós mesmos. Somos a fera que sangra com a flecha no peito e a princesa que chora de arrependimento por ter tramado a ferida. Aquele sangue é meu, aquela flecha é minha, eu me assumo vítima e agressora de mim mesma e de outrem. Sim, sou ré confessa. 
E, no caminho de redenção e volta (vale a pena voltar?), por vezes perdemos um sapato, um vestido e a dignidade depois de tentar agarrar à força o que julgamos nos pertencer; nem sempre conseguimos, mas não resta dúvida: crescemos. A emboscada da floresta escura pode, sim, nos levar a uma clareira de paz, a uma lufada de ar fresco. E assim seguimos andando, ferindo e sendo feridos, titubeando desconfiados, mas nunca perdendo a coragem de enfrentar esse reino de névoas chamado vida. 
Em tempo, Camila, nunca terei palavras para agradecer por você ter compartilhado comigo esse espelho monstruoso em formato de livro. Deixo aqui o meu desejo de que a monstruosidade do Reino das Névoas ainda cause muitos estragos arrebatadores por aí. 
Mitsue Siqueira, tradutora

28. "Reino das Névoas se sai bem em sua proposta de ser um livro de contos de fadas para adultos."

Contendo sete histórias e belas ilustrações da própria autora, O Reino das Névoas se sai bem em sua proposta de ser um livro de contos de fadas para adultos. 
A autora acerta em não se limitar a apenas fazer releituras, paráfrases ou paródias dos tradicionais contos de fadas. Ela cria um mundo próprio e o desenvolve, criando ainda situações que resgatam o lado mais obscuro do gênero, suscitando reflexões a respeito dos relacionamentos humanos e seus conflitos e dificuldades. Mas há também lugar para soluções engenhosas em situações difíceis como no conto A Outra Margem do Rio. Ou no interessante conto que dá título ao livro, com um desfecho interessante e original. 
Confesso que minha história preferida é O Lenhador e a Sombra,extremamente delicada, bela e poética. Merece constar em qualquer antologia de Literatura Fantástica. 
Aguardemos os próximos livros da autora. 
Cleber Pacheco, escritor


27. "Reino das Névoas é um livro no qual as mulheres salvam a si mesmas, a seus maridos e a seus reinos."

Li esse livro pela primeira vez por volta de 2011 por recomendação e empréstimo de uma amiga (Obrigada, Fe!) e desde então quis ter um exemplar para mim. Não é segredo que adoro contos de fadas, tanto pela atmosfera onírica como pelas aventuras e lições nos quais culminam. Eu assistia A Bela e a Fera todos os dias depois da escola. Ao mesmo tempo, queria ser a Mulan, porque ela foi a mulher que salvou a China. 
Então o primeiro ponto que me agradou no livro e que quero destacar é: as protagonistas femininas são fortes e complexas. E, em boa parte dos contos, elas de fato os protagonizam. Inclusive dei um exemplar da obra para uma amiga que ficou revoltada ao descobrir que, quando os contos de fada foram passados para o papel (pela parcela letrada da população, ou seja: homens), as mulheres deixaram de ter papéis ativos na histórias, e as que os tinham foram substituídas por homens. Reino das Névoas é um livro no qual as mulheres salvam a si mesmas, a seus maridos e a seus reinos. 
Além de resgatar o aspecto ativo das personagens femininas, o livro de Camila traz também os aspectos sombrios originalmente presentes nessas histórias. Que as versões da Disney são absolutamente açucaradas não temos dúvidas, mas muitos ainda se espantam ao saber que os contos de fada comumente continham canibalismo, assassinato e estupro. (Aliás, se você tem algum tipo de trauma sexual, recomendo que tome cuidado com a leitura do primeiro, quarto e do último conto do livro.) Como diz a introdução da obra: 
Essas histórias sem censura diziam muito mais sobre a natureza humana do que os finais felizes a que estamos acostumados. […]
A mensagem é clara:
O mundo é cruel. Sejam espertos. Tomem cuidado. 
Estamos acostumados a encarar o “para adultos” como um eufemismo para “contém conteúdo explicitamente sexual”, mas devemos tomar cuidado com essas definições – embora o livro contenha, sim, sexo, vai além disso: prepare-se para histórias honestas e realistas – claro que dentro de um universo que não poderia deixar de ser fantástico. Apesar dessa classificação, eu leria alguns desses contos para uma criança. 
A autora tirou inspiração de alguns contos clássicos para escrever os seus, mas não realizou releituras. Na minha primeira leitura, o meu conto favorito foi o primeiro, “O Chifre Negro”, o qual tem menos conexões óbvias com o imaginário clássico de contos de fadas. Quando o reli, o conto continuou sendo inspirador por evocar para mim o empoderamento que pode decorrer de uma aliança inusitada e de não se submeter às convenções. Mas o conto “A Torre Onde Ela Dorme” tomou seu lugar como favorito, talvez por agora ecoar sentimentos de silenciamento e possuir um final catártico. 
Há também um conto que descreve a breve e significativa relação de um lenhador com um gato, e outro que faz uma graciosa referência à história “A princesa e o sapo”; “A espera”, um conto que propõe uma reflexão sobre o impacto de tomar consciência das escolhas sobre o nosso destino; e o “O Reino das Névoas”, que é o mais longo e dá o título à obra, com fortes referências à história da Branca de Neve. Finalmente, menciono outro conto que me impactou profundamente: “A Outra Margem do Rio”, que relata uma história que começa com um casamento arranjado e um infortúnio e quebrou minhas expectativas com um final doce. 
Acredito que não teria gostado tanto do livro se o cuidado não transbordasse dele: a linguagem é absolutamente condizente com a proposta. A simplicidade e precisão das descrições quase oníricas é encantadora, além de evocar oralidade na estrutura sintática. Devo dizer que só atentei a isso nessa segunda leitura, após estudar transmissão oral e contos de fada na faculdade. Imagino que essa linguagem tenha sido a responsável por, em 2010, conceder à proposta do livro o financiamento do ProAc (Programa de Ação Cultural) após uma amostra de apenas 10 páginas.

O cuidado também transparece na edição, que possui uma diagramação agradável e ilustrações magníficas. Essas ilustrações eram metade da razão pela qual eu queria ter um exemplar só meu e elas também são obra da autora. 
Em ambas as leituras eu percorri rapidamente os caminhos dos personagens, sem deixar de sentir suas desventuras e alegrias. É uma leitura agradabilíssima para as noites de inverno vindouras – especialmente com um gatinho a esquentar seu pé. 
Gi Pausa Dramática, revisora de textos e graduanda em Letras-Francês

26. "Uma doce leitura."
Reino das Névoas, de Camila Fernandes, uma doce leitura. O livro estava há mais de um ano esperando por mim na estante, se soubesse que iria me apaixonar por ele, teria dado um jeito de lê-lo mais cedo. Sempre gostei de contos de fada (que mulher não gosta?), mas esse livro é especial, pois retrata também o lado mais sombrio e mórbido das estórias que soam inocentes e infantis, mas não o são. E a Camila escreve muito bem, suas descrições nos transportam automaticamente para esses reinos longínquos. Não posso deixar de falar das lindas ilustrações que também foram feitas pela Camila. Nota: 9,5. ‪#‎projetoleitura‬ ‪#‎lovereading‬ ‪#‎livrodejaneiro‬ ‪#‎livro2‬‪#‎mínimo30‬  
Aline Mehedin, tradutora e professora

25. "Contos muito gostosos de ler."
Camila, comprei seu livro no começo do ano passado, mas só agora consegui parar para lê-lo e gostaria de te parabenizar. Seus contos são muito gostosos de ler e só parei de ler o livro quando acabei mesmo. Adorei especialmente o Reino das Névoas. Sem esquecer das lindas ilustrações do livro também! Parabéns, por favor, continue escrevendo e desenhando. Feliz ano novo! 
Aline Mehedin, tradutora e professora

24. "Histórias que envolvem e despertam todas as emoções do leitor, com personagens marcantes e bem construídos."
"Reino das Névoas" reúne sete contos de fadas inspirados em alguns contos clássicos que muitos de nós conhecemos desde a infância. Talvez nem todos saibam que muitos desses contos foram modificados para uma maior aceitação pois, hoje em dia, quem iria imaginar, ou até mesmo ler a história para os filhos pequenos, que a Bela Adormecida, por exemplo, era violentada pelo príncipe enquanto dormia? Ou que a Branca de Neve não despertou de seu sono eterno com um beijo de amor verdadeiro? E imaginem a pobre Chapeuzinho Vermelho sendo devorada nua pelo Lobo Mau já que não existia nenhum caçador valente para salvá-la? 
Procurando resgatar um pouco da originalidade sem nenhuma censura destes contos, a autora nos apresenta histórias baseadas nesses contos e escritas para adultos, algumas com fins felizes e outras nem tanto, e vou ter que assumir que gostei muito mais das novas tramas criadas ou adaptadas por ela, pois colocam os personagens a prova de forma que seus destinos são traçados de acordo com atitudes que eles próprios tomam ou pelos caminhos que eles escolhem seguir. Os textos são maravilhosamente bem escritos, e nos levam até o passado, em épocas medievais, tanto pelos termos usados, pelas descrições com detalhes da medida certa de cenários ou diálogos dos personagens. A narrativa é impecável, fluída, empolgante, viciante... É impossível não se apaixonar pela forma como a autora escreve, e nem terminar um conto sem querer começar a ler o outro imediatamente. 
A capa é linda e o cuidado com a diagramação tornaram o livro uma relíquia pra mim. Cada conto trás uma ilustração feita pela própria autora, com traços perfeitos, cheios de expressão, sentimento e significado, que retrata um pouco do que a história apresenta. 
"O Chifre Negro" expõe a pureza da donzela que, por se igualar a pureza do unicórnio, seria uma arma para que ela conseguisse se aproximar dele e conseguir o que buscava, no caso, o chifre para salvar seu pai da morte... Porém, o unicórnio não é tão bonzinho como se imagina... o final é inesperado e surpreendente! 
Não consegui associar nenhum conto ao "O Lenhador e a Sombra", pois ele conta a história de um lenhador que salva uma gata prenhe e tem uma mensagem muito bacana sobre os valores e bondade. 
"A Outra Margem do Rio" é um conto muito interessante que retrata um jovem que estava a caminho de outro reino para seu casamento arranjado, mas seu pai acaba morrendo e uma bruxa oferece ressuscitá-lo em troca dos olhos do rapaz. 
"A Torre Onde Ela Dorme" foi inspirado em "A Bela Adormecida" e é o conto mais sombrio dessa coletânea. 
"A Filha do Fidalgo" é o menor conto do livro e foi baseado em "O Príncipe Sapo". É trágico, porém cômico. 
"A Espera" é um conto de amor bem poético de uma princesa a espera de seu príncipe. 
"Reino das Névoas" é o último, maior e mais trabalhado conto do livro, e foi inspirado principalmente em "Branca de Neve e os Sete Anões", e a princesa, que está se descobrindo como mulher, foge depois de saber que a própria mãe, dissimulada, egoísta e extremamente fria, mandou matá-la, porém, mesmo encontrando refúgio, ela sabe que ninguém iria escondê-la sem ganhar nada em troca... 
Histórias que envolvem e que despertam todas as emoções do leitor, com personagens marcantes e bem construídos, que trazem elementos conhecidos como cenários medievais e animais míticos ou encantados, e que nos leva a conhecer princesas que possuem personalidades fortes e que lutam por seus ideais, não importa os obstáculos, pois nem sempre a vida de um personagem de contos de fadas é perfeita, feita de sonhos, sorrisos e finais felizes... 
"Reino das Névoas" é um dos melhores (se não o melhor de todos), livros nacionais que já li até hoje.
Flávia Penido, blogueira 

23. "Encantador, delicioso e singelo."

Ao ver a capa, o primeiro encanto: aquela personagem de capa vermelha e olhos fechados com um punhal me remeteu direto a um sonho - campo-base dos contos de fadas. Não resisti à tentação: li o sumário, folheei-o e resolvi adquiri-lo. Foram-me necessárias apenas duas noites para ler teu texto. Encantador! Delicioso, singelo e de ótimas possibilidades de estudo para com meus alunos. 
Lucas de Melo Bonez, professor de Língua Portuguesa e Literatura

22. "Estou apaixonada por Reino das Névoas."
Preciso dizer que estou A-P-A-I-X-O-N-A-D-A pelo livro "Reino das Névoas", de Camila Fernandes, com o subtítulo "Contos de fadas para adultos", publicado pela Tarja Editorial! 
"A Outra Margem do Rio" e "A Torre Onde Ela Dorme" foram dois contos que me conquistaram! 
Destaco essa passagem que tem sensualidade, erotismo na dose certa (Qual o quê "50 tons de Cinza"... rs.): 
"- Agora, ocupe-se de sua mulher. Você é um homem casado. 
"- Sinto-me apenas metade de um homem sem ter olhos para vê-la. 
"- Pois pode me ver muito melhor com suas mãos. 
"Dizendo isso, ela se aninhou nos braços do marido, provocando nele vontades das quais a cegueira não podia privá-lo. E saciou-as, saciando as suas próprias. Mergulharam num mundo escuro onde a visão era o menor dos sentidos, o som era seu guia e o tato, seu prazer. Um sonho que ambos já haviam experimentado na solidão, mas que, agora, sonhavam juntos. Bem acordados." 
Ainda sobre “Reino das Névoas, de Camila : 
Quanto ao diminuto conto "A Filha do Fidalgo", que fim desconcertante! Não pude conter um riso frouxo de frustração ao ler o seu desfecho... Hehehe... 
Obrigada, Carol Chiovatto, pela excelente indicação! Você é honesta e certeira em suas recomendações!" 
Kyanja Lee, parecerista, preparadora e revisora de textos

21. "Contos com um tempero especial."
Recentemente lido: Reino das Névoas, de Camila Fernandes. Publicado pela Tarja Editorial, os vários contos contidos no livro nos remetem àquelas histórias encantadas que ouvimos na infância. Com um tempero especial, claro. Afinal é um livro para o público adulto. Li, gostei e recomendo. Parabéns, Camila! 
Ronaldo Luiz Souza, poeta

20. "Uma das maiores surpresas do ano, recomendadíssimo."
A proposta desse livro é trazer “contos de fadas para adultos”. Não que, em sua origem, contos de fada tenham sido histórias infantis, como a própria autora esclarece no prefácio: eram histórias moralizantes, que davam conselhos e a punição de maus atos, principalmente para adultos ou jovens em formação para a vida. As versões que conhecemos hoje, de certa forma pasteurizadas, surgiram a partir dos trabalhos dos Irmãos Grimm e de Charles Perrault, que recolheram essas histórias e as recontaram de maneira mais leve. 
Mas o “para adultos” do título também pode ter uma outra interpretação. Não diz respeito apenas a cenas de sexo e violência mais cruas, mas ao que acho principal no fato de ser adulto: ter de fazer escolhas, nem todas fáceis, nem todas simples, e viver com o peso de suas consequências. Sabem aquela história batida dos grandes poderes e grandes responsabilidades? Mais ou menos isso. 
Então, com essas prerrogativas em mente, a autora traz uma coleção de contos de fadas modernizados – e deliciosos, li o livro em uma tarde, não conseguia largá-lo – e adultos. Toda aquela atmosfera mágica de contos de fada está presente e a narrativa é simplesmente deliciosa de se acompanhar. A autora conseguiu pegar o espírito dos contos que lhe servem de inspiração, alguns deles até mesmo recontados aqui, como A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e mesmo A Bela e a Fera (evidentemente não a versão da Disney). Outro ponto forte são as ilustrações para cada conto, também obra da autora (que é ilustradora), afinal um livro de contos de fadas não poderia passar sem ilustrações, poderia?
Três temas são de certa forma comum entre os contos: o primeiro deles, como adiantado anteriormente, o peso de fazer escolhas e sofrer suas consequências (que não necessariamente serão boas); o segundo é a da posição de ser mulher, de ter poder sobre o próprio corpo e sobre a vida, e sobre o quanto este poder pode ser retirado à força por uma sociedade que preza um conceito deturpado de masculinidade; e o terceiro a ecologia, principalmente no trato respeitoso com as outras espécies animais (reais ou fantásticas). 
Talvez o conto que sintetize melhor todo o espírito do livro seja a noveleta que o nomeia, Reino das Névoas: uma espécie de recontagem da história da Branca de Neve (mas com elementos de histórias como Chapeuzinho Vermelho e A Bela e a Fera, ou mesmo de outras histórias como a lenda da Condessa Bathory), onde a mocinha tem de fazer a transição da inocência da infância para o pragmatismo adulto, mas isso não ocorrerá sem lágrimas, danos e violência (física e sexual). É sobre as dores de tomar as rédeas da própria vida, o que nunca é simples, fácil e indolor, mas cujo resultado acaba por compensar as dores – só que todo dano poderá ser resgatado ao se descobrir a verdadeira natureza do eu? 
Enfim, esse é um livro que só tem um defeito grave, gravíssimo, aliás: é muito curto!!!! As histórias acabam tão rápido quando uma tarde de verão envolta em brincadeiras e os contos são tão bem-trabalhados que não se quer parar de ler. Fica a sugestão para um volume 2.
Foi para mim uma das maiores surpresas do ano, recomendadíssimo a todos os leitores que querem reviver antigos contos, mas com novo olhar.
 
Ana Carolina Silveira, escritora


19. "Uma viagem ao mundo do fantástico com generosas pitadas de girl power."
E se Branca de Neve não dependesse do príncipe para escrever seu destino? E se, sozinha, voltasse ao reino onde antes vivera para consertar os desmandos da Rainha vaidosa? E se o Lobo fosse um forte aliado da Chapeuzinho Vermelho? E se o sapo-príncipe tivesse um destino bem menos atraente do que ser resgatado de sua triste sina por um beijo esperançoso? Em Reino das Névoas (Tarja Editorial), Camila Fernandes cria e reinventa contos de fada e nos convida a conhecer outras faces possíveis de algumas histórias que nos acompanharam em nossa infância. O resultado são sete contos que, como adverte a autora, devem ser mantidos "fora do alcance das crianças". É que alguns dos elementos presentes nas histórias de Camila são um tanto mais, hum, picantes do que cavalos brancos e maçãs envenenadas. Cabeças rolam e nem toda princesa é uma fonte de inocência e "pureza". 



Eu gostaria de ser capaz de captar todas as referências presentes no livro. O mundo dos contos de fada é vasto e não faço ideia do quanto existe por aí que nunca li ou ouvi. Assim, não sei se todos os contos da Camila remetem a alguma história já existente. Talvez não, talvez alguns tenham sido inteiramente criados por ela. Reconheço alguns elementos, mas nem toda história me pareceu familiar. Isso nem de longe é um problema, no entanto. Lê-se com prazer cada um dos contos, conhecendo-se ou não as fontes que inspiraram a autora. 



São sete contos. Meu favorito é o último, que dá nome ao livro. É a história da Princesa Niev e do Príncipe Lobo, a mais longa da coletânea. Enquanto Branca de Neve dança com os passarinhos, a vida de Niev tem aventuras de gente grande. E como nenhum príncipe virá beijá-la, é melhor mesmo crescer e tomar as rédeas da história (nada contra os passarinhos da Branca de Neve, fofinhos). Também gostei do conto que abre o livro, "O Chifre Negro" - e agora também tenho um unicórnio pra chamar de meu, eu que vivo em meio aos unicórnios cor-de-rosa da minha filha. "A Torre Onde Ela Dorme" e "A Outra Margem do Rio" me fizeram lembrar de histórias que integravam um dos volumes das Obras Completas de Monteiro Lobato que tínhamos lá em casa, em minha infância. Além das histórias de Lobato, o livro trazia fábulas e alguns contos de fada. Lembro-me de algumas histórias bem trágicas, com princesas trancafiadas por anos e anos à espera de que algum guerreiro derrotasse um monstro terrível que as matinha prisioneiras; ou do pai que vendia as filhas para não morrer de fome. Os finais, contudo, eram invariavelmente mágicos e tudo consertavam. Já nos textos da Camila, a felicidade pode cobrar preços altos e irremediáveis, e não há garantias de que o sapo terá tempo de virar príncipe.



O título deste post é o subtítulo do livro. Dá a exata dimensão do que se esperar da leitura: uma viagem ao mundo do fantástico, da magia e dos amores improváveis. No caso de Reino das Névoas, com generosas pitadas de girl power - as princesas não estão para brincadeira. Cada história do livro é precedida por uma ilustração feita pela própria autora,  que também fez essa capa lindona aí. O livro é um mimo. Cheia de talentos essa Camila. 
Rita Paschoalin, escritora e tradutora

 18. "Não tem exagero nem eufemismo. É na medida certa."
Agora, não fiz resenha de um livro fantástico que li, mas não suporto a ideia de não falar dele a vocês. Não, continuarei não fazendo resenha do dito cujo, porque não me acho digna de falar dele. Não tenho capacidade de elogiar em palavras humanas Reino das Névoas – Contos de Fadas para Adultos, da autora Camila Fernandes. Estará no 4º Indicações Fantásticas, e provavelmente estarei mais enfática do que de costume nos vídeos (piadas preparadas, eu sei que sou uma caricatura em pessoa falando). Eu só posso dizer uma coisa: quem comprar esse livro não vai se arrepender. Não existe forma de não gostar dele. Você pode não gostar de contos, de contos de fadas, de coisas que contenham conteúdo adulto, mas VAI GOSTAR desse livro. Simplesmente porque ele pega as suas expectativas e destrói todas elas com um sopro de fada, que é escrita da autora. Nada é de mais e nem de menos. Não tem exagero nem eufemismo. É na medida certa.


Se alguém me apontasse uma arma na cabeça e me dissesse para indicar um livro bom ou eu morreria, e eu não fizesse a menor ideia do que o cara gostasse de ler, ou SE ele gostasse de ler, indicaria Reino das Névoas. Simples assim.


Estou exagerando? Compre o livro, leia e depois conversaremos.
Carol Chiovatto, escritora e publicitária

17. "O livro não se propõe a um resgate histórico, mas a trazer de volta alguns elementos ausentes para criar uma atmosfera fantástica."


O conceito de infância que temos hoje só surgiu após o estabelecimento da filosofia racionalista do século XVIII, tendo como marco a publicação de O Emílio, de Rosseau. Antes as crianças só se diferenciavam dos adultos pelo tamanho e pelas habilidades. As narrativas, sobretudo de tradição oral, não tinham contornos para evitar ou atenuar passagens mais cruentas e cruéis ou que envolvessem sexualidade. Os Irmãos Grimm, que compilaram a maioria dos contos que conhecemos hoje, fizeram o primeiro filtro, já dentro da visão de que existe uma infância a ser preservada e já influenciados pela ética protestante. Mesmo assim, alguns contos sofreram ainda mais uma censura deles mesmos na segunda edição. Ao longo do tempo, mais e mais atenuações foram introduzidas.



Há ainda outros fatores históricos que mudaram a teor da narrativa. Por exemplo, na Idade Média, o perigo de um ataque de um lobo era real e palpável. Então, a Chapeuzinho Vermelho devia temer mesmo um lobo, sem nenhuma metáfora. Com o passar do tempo, o perigo é um adulto manipulador, que pode ser representado por um lobo.



Contudo, o livro não se propõe a um resgate histórico, nem a criticar a forma como os contos são contados hoje para as crianças, mas apenas a trazer de volta alguns elementos ausentes para criar uma atmosfera fantástica que abranja alguns fatores importantes do universo adulto.



Ao pegar o livro, a primeira coisa que se nota é que houve um cuidado na edição de emular um livro de contos de fadas de criança, desde a capa, passando pelas ilustrações internas, até o papel, a tipologia dos títulos e do texto e o uso de capitulares.



O texto também guarda similaridade com o dos Irmãos Grimm, mas de uma forma mais fluída e poética, mesmo nas passagens onde há crueldade explícita, e evitando sempre que possível o uso de lugares comuns (inclusive o “Era uma vez...” e o “... viveram felizes para sempre”), o maniqueísmo clássico e o final fechado.



O Chifre Negro

Uma princesa necessita pegar um chifre de unicórnio para salvar o pai. Essa busca a leva a uma série de situações perigosas, cruéis e amargas que a marcam de forma indelével e a levam ao amadurecimento como pessoa. Angustiante.


O Lenhador e a Sombra

Esta talvez seja a mais poética das histórias. Um lenhador solitário encontra uma companhia na floresta. A questão do desapego norteia a condução do conto. Belíssimo.


A Outra Margem do Rio

Duas cidades separadas por um rio e pelo preconceito. Um pai leva o filho para um casamento com uma noiva do outro lado. Acontecimentos trágicos marcam essa travessia. A questão do que é realmente importante dá o tom.


A Torre onde ela dorme

Uma princesa tem muitas habilidades e só aceita casar-se com um homem que a vença. Pela inveja de seus pretendentes, é condenada a dormir um sono eterno até que seja vencida por um homem. Esta é uma versão da história da Bela Adormecida, com um príncipe nem um pouco nobre. Surpreendente.


A Filha do Fidalgo

Uma jovem fantasia que um sapo que encontra em seu quarto, se beijado, se tornaria um príncipe. Será?


A Espera

Uma metáfora para a busca da felicidade a partir de esperanças vãs, que na realidade nos impedem de ver que ela está ao alcance da mão.


Reino de Névoas
Uma Branca de Neve não tão pura e não tão indefesa. O conto mais longo e também o mais movimentado. O melhor da coletânea.


O resultado geral é muito bom, atingindo plenamente o os objetivos da autora. 
Álvaro Domingues, escritor

16. "Reino das Névoas merece outro prêmio pelo trabalho gráfico."
Essa capa é extraordinária, como tudo dentro do livro! Acho que o Reino das Névoas merece outro prêmio só pelo trabalho gráfico.


Cristina Lasaitis, escritora e biomédica

15. "Prosa sensível, fluente, sem sobras." 
Camila Fernandes, preciso te dizer que estou adorando seu "Reino das névoas". Prosa sensível, fluente, sem "sobras" (tudo que está ali é porque tem de estar). Parabéns! Sou exigente mesmo! O que significa que você é muito boa. E eu tinha que te falar porque sei como é gostoso quando nosso trabalho é reconhecido. Espero que você já esteja com ideias para próximos livros!


Veridiana Maenaka, preparadora de textos


14. "Contos de fadas que crescem com o leitor." 

Era uma vez uma menina que gostava de contos de fadas, principalmente nas versões melosas da Disney. Mas e depois que cresceu e descobriu que a vida é mais complicada do que casar-se com um príncipe e ser feliz para sempre? Revisitar esse mundo de ilusões infantis com um olhar mais adulto, ou pelo menos mais irônico, tem sido um tema comum na literatura de fantasia moderna a ponto de já ter gerado produtos para a indústria cultural de massas, da série de animação Shrek a muitos dos sucessos de Neil Gaiman.


Numa perspectiva mais pessoal e artesanal, "Reino das Névoas" (Tarja Editorial, R$ 30, 168 págs.), de Camila Fernandes, antologia editada com apoio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, recria contos tradicionais e inventa outros, estendendo uma ponte entre o imaginário das ex-princesinhas e o mundo real da existência adulta. Tem o subtítulo de “Contos de Fadas para Adultos”, mas o tom e o conteúdo falam mais a adolescentes e adultas jovens.


Há cenas de violência, inclusive sexual, mas tratadas com sensibilidade. A raiva, em muitos desses contos, anda de mãos dadas com o amor como um sentimento vital e adulto, indispensável ao equilíbrio emocional e à busca da justiça. É uma noção de sabedoria tradicional presente em muitos contos tradicionais e que convém relembrar ante a obsessão dos bem-intencionados por livros que promovem “sentimentos construtivos” e ignoram os conflitos reais, gerando de um lado uma literatura falsa e tediosa e de outro a contrapartida inevitável de estimular o gosto pela brutalidade e pelo cinismo “proibidos”, mas facilmente disponíveis no mercado.


Linguagem e a narrativa são simples e lineares, mas bem cuidadas, como nas versões clássicas das antologias dos irmãos Grimm, de Andersen e de Perrault. Como nas melhores edições destas, são acompanhadas de belas ilustrações, que como a capa, são trabalhos da própria autora.


Eis uma amostra de prosa, do conto que dá o título à antologia, inspira-lhe a capa e é o último e mais extenso – na verdade, uma pequena novela:


“A rainha Nuura não tinha paciência para longas narrativas. Encomendara para o quarto somente as três faixas que cobriam sua parede. Para ela, a história do reino resumia-se a isto: uma comitiva de cavaleiros chegando com suas espadas e com seus cavalos brancos; os reis antigos e fracos entregando a chave do reino às mãos de seu pai, estando ela, ainda princesa, altaneira ao lado dele; por fim, seu casamento com um príncipe e a coroação dos dois como senhores daquele país, agora pacificado. Os detalhes da história não interessavam nem a seus olhos nem a seu orgulho”.


É uma rainha para a qual só importa a façanha da conquista, o casamento e ser feliz para sempre. E apesar de ter ficado viúva, até certo ponto o consegue, arrebatando rapazes para serem seus escravos sexuais durante longos períodos e depois os sacrificando para prolongar indefinidamente sua juventude e seu domínio sobre o reino. Quem é ela? Claro que é a Rainha Má. Mas a filha não é bem a Branca de Neve: tem traços tanto dela quanto de Chapeuzinho Vermelho, mas consegue superar tanto a passividade da primeira quanto a ingenuidade da segunda ao encontrar o Caçador, os Anões, a Vovozinha e o Lobo, cujos papéis são completamente transfigurados.


É interessante que uma obra de teor semelhante publicada originalmente em 2004, a novela "O Caçador" (Editora Franco, 100 páginas, R$ 22), de Ana Lúcia Merege, também comece pelo conto da Branca de Neve e acabe no de Chapeuzinho Vermelho. Difícil dizer se há influência direta: embora ambas tratem do amadurecimento do protagonista, são completamente diferentes na estrutura e no tom. A novela de Merege é menos sombria e ousada, embora aborde e critique esses e outros contos tradicionais, de maneira mais explícita, mas menos radical, à medida que seu protagonista “Caçador” passa por vários deles. Uma hipótese igualmente provável e mais interessante é que as histórias da Branca e da Chapeuzinho tenham se tornado particularmente problemáticas para a identidade feminina, ou pelo menos da mulher brasileira moderna, de modo que seja especialmente necessário acertar as contas com elas.


A novela “Reino das Névoas” é a narrativa mais complexa desta antologia e que fala mais ao inconsciente coletivo, mas talvez não seja a mais perfeita do ponto de vista da estética e da proposta de dar um tratamento realista aos contos de fadas. Há pequenas incongruências que, a um olhar adulto, lhe prejudicam a verossimilhança. Por exemplo, a família de Nuura, ao tomar o reino, parece ter surgido do nada e o epílogo soa desajeitado, com uma resolução forçada até mesmo pelos padrões dos contos de fadas.


Mais simples e bem-sucedido nesses aspectos é o primeiro conto, “O Chifre Negro”. Inspirado em “A Bela e a Fera”, permanece, do ponto de vista da estrutura, mais próximo do conto original – embora o cenário seja diferente e, neste caso, a Fera não seja horrível e sim mais bela que a Bela. E o final, embora seja consistente com a lógica do conto da Madame Villeneuve, consegue surpreender mais que o da novela que subverte os contos de Grimm.


“O Lenhador e a Sombra” tem inspiração menos óbvia. Lembra um pouco alguns contos populares, mas é provável que tenha sido totalmente inventado. De qualquer maneira, é um bom pequeno conto sobre um lenhador que socorre uma gata e sobre amor e bondade que tem valor em si mesma e não precisa ser recompensada por tesouros ou dons mágicos.


“A Outra Margem do Rio” também parece ser uma história totalmente criada pela autora e é das melhores da coletânea. Um rapaz é conduzido por seu pai a um casamento arranjado com uma jovem de outro reino, mas no caminho um acidente mata o pai e uma bruxa oferece ressuscitá-lo em troca dos belos olhos do jovem. Os resultados são muito interessantes.


“A Torre Onde Ela Dorme” tem como inspiração “A Bela Adormecida”, mas não a versão dos irmãos Grimm, nem a de Perrault. Seu modelo é a hoje quase esquecida versão de Giambattista Basile, também conhecida como “Sol, Lua e Tália”, na qual a princesa é despertada com algo mais rude que um simples beijo. As consequências disto fazem deste o conto mais sinistro e raivoso da coletânea, mas também um dos mais poderosos.


“A Filha do Fidalgo” é um miniconto baseado em “O Príncipe Sapo”, mas menos interessante e inspirado que os demais da antologia. É uma piada irônica, que bem poderia ter sido usada como mais uma gag em Shrek.


“A Espera”, sobre uma princesa à espera de um príncipe que a ajude a abrir uma porta encantada, é um conto também breve. É menos prosaico, mas a história é um tanto esquemática e a lição de moral demasiado óbvia.


Também não está entre os melhores do livro: a autora se sai melhor quando se dá espaço suficiente para que a trama se desenvolva com sua própria lógica, dando espaço a interpretações mais abertas. Isso também permite que o peso dos pormenores incômodos da existência concreta, das contradições da realidade, das decisões e suas consequências sejam sentidos de maneira a dar a essas narrativas – quer os elementos mágicos estejam presentes, quer não – a verossimilhança necessária a uma leitura adulta, sem que percam o frescor e o encanto de um autêntico conto de fadas.
Antonio Luiz M.C.Costa é editor de internacional de CartaCapital e também escreve sobre ciência e ficção científica. 


13. "Sete mundos onde a fantasia é tão bela quanto cruel."

O livro da ilustradora, revisora e contista Camila Fernandes tem um diferencial antes de tudo, como projeto, pois a autora foi selecionada pelo ProAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo) por um edital para a impressão de sua obra. Isso, é claro que já é por si só um mérito, porém, quando penso na capacidade que ela demostrou para conseguir o edital com um projeto que tinha como premissa – assim imagino – falar sobre a verdade por trás dos contos de fadas, ou contos de fadas para adultos, é que também reflito sobre como ela deve ter se esforçado desde então. Mas o que vale constatar é que o prêmio foi muito bem colocado e o livro que se formou é realmente muito bom.
Falando sobre a estética do livro, desde a belíssima capa, o cuidado e o trato já se mostram aparentes e de muito bom gosto. E por dentro você também encontra sete ilustrações que correspondem respectivamente a sete contos de sua autoria. Os desenhos em tons de cinza são delicados, mas de traços firmes e cheios de detalhes, o que me levou até as pinturas em vitrais, tapeçarias, livros antigos e qualquer outra sensação que já contribui para a atmosfera das histórias, um tempo distante e imemorial. Não são desenhos realistas, pelo contrário, estão estilizados bem ao ponto da fantasia.
O livro também é impresso em um papel (aparentemente reciclado) de tonalidade amarelada e muito resistente. Dá gosto tocar as páginas enquanto se imerge nas palavras.
Não há erros de revisão. O que também está de parabéns.
O livro saiu pela Tarja Editorial, que fez um trabalho excelente na diagramação, que ficou simples, funcional e muito bela.
Agora, vamos às escritas.
O livro traz na sinopse contos de fadas cheios de verdades, crueldade, violência e erotismo, características que foram banidas das histórias originalmente. E a Camila cumpriu o que prometeu de um modo diferente do que eu esperei.
Por essa chamada eu imaginava algo que caminhasse muito mais pelo soturno do que pela fantasia, e eu me enganei, e gostei disso ter acontecido. A autora conseguiu trazer à tona tudo que prometera sem romper com a beleza, a magia etérea na qual os contos de fadas se tornaram para nós hoje como referência.
Pensando então sobre eles, acredito haver três tipos de contos – a meu ver – pelos quais ela nos guia.
Há histórias em que tudo é totalmente novo. Os personagens são erguidos de fontes antes nunca provadas, e as tramas ricas em detalhes e surpresas nos levam a situações sublimes e vencedoras, mesmo que através de caminhos sombrios e truculentos, e seriam “O Chifre Negro”, “A Outra Margem do Rio” e “A Espera”.
Um outro tipo de conto é uma espécie de cotidiano fantástico, onde tudo é simples, quieto, bastante melancólico e quase irônico; aqui eu encaixaria “O Lenhador e a Sombra” e “A filha do Fidalgo”, que são histórias tocantes mais pela sua parcela de realidado do que pelo encantamento ou sobrenatural.
E “A Torre Onde Ela Dorme” e “Reino das Névoas” são incríveis, mas me deixaram em cima do muro. Gostei muito de ambos, são minuciosamente trabalhados e é impossível parar a leitura no meio, os personagens são fortes e têm as tramas mais complexas, porém, seja inspiração ou releitura, é fortemente presente a semelhança com contos de fadas conhecidos. (Isso também há em “A Filha do Fidalgo”, mas ainda assim este se encaixa melhor na separação anterior.) Talvez eu realmente não imaginasse que esse tipo de características fosse surgir no livro. O que acontece então é que lindas histórias não ficam presas em si, elas acabam nos levando para essas outras histórias conhecidas, o que é tanto repertório quando certa fuga do enredo principal.
Os sete contos, como dito, são de grande beleza. Camila Fernandes soube traçar as palavras sem adornos, sem grandes metáforas ou qualquer complicação, dando a sensação de que se pode contar e ouvi-las sem problema, pois elas envolvem pela emoção e pelas paixões.
A criatividade da autora também se revela nos males que ela trouxe para as histórias, desde estupro até melancolia e uma necromante. Porém, as cenas mais densas são rápidas, são flashes que nos assustam e só nos damos conta depois de terem partido. Outras vezes, são tão cruas e verdadeiras que acabam chocando ainda mais. São fantasias muito reais.
É um livro de contos que cumpre sua principal função, quando acaba uma história lhe dá vontade de correr para a próxima e devorá-la. A leitura flui muito bem, é cheia de diferentes sensações e prazeres.
Não é o tipo de livro de terror, de grande batalhas ou carnificina. É um livro de fantasias palpáveis e que uma mente aberta facilmente assimila e mergulha. Leia. Recomendo.
“Reino das Névoas – contos de fadas para adultos” não é só um lindo livro com uma linda capa (a mais bela que vi até hoje dentro e fora da literatura nacional) como é uma ótima leitura. Um livro de conteúdo que presa o cuidado com as palavras, a sinceridade e um entretenimento que nos ensina e nos faz pensar com sutileza acerca de vida e com seriedade a respeito dos mitos nos quais muitas vezes nos baseamos para formar nossas personalidades, mesmo sem querer.

Mais sobre o livro, ilustrações e outras resenhas você encontra aqui:

Onde comprar você também encontra no blog acima, mas eu sugiro na Loja da Estronho, onde você ganha dois marcadores de página.
Carol Mancini, escritora e blogueira


12. "Senti orgulho de ser brazuca só lendo seu livro."


Do Twitter de Carol Chiovatto :
Oieeee! Estou tão feliz, pq estou terminando de ler um livro sensacional. Agora preciso falar: CARALHO, , senti orgulho de ser brazuca!


Sim, , senti orgulho de ser brazuca só lendo seu livro. Vc manda muito bem. Fiquei encantada com sua habilidade pra contar histórias.


... se chama O Reino das Névoas, da autora . Eu te empresto. É um livro de contos de fadas - só q PARA ADULTOS. Awesome.

Gente, ñ posso escrever uma resenha do livro O Reino das Névoas, da . Sinto q ñ tenho capacidade de transcrever em palavras o qnt é bom.


Vou almoçar antes de continuar babando ovo no livro da , o Reino das Névoas, e no trabalho sensacional (de novo), da .
Carol Chiovatto, escritora e publicitária


11. "Um reino inexplorado..."
Nunca nos livramos dos contos de fada. Mesmo depois de passada a infância, essas histórias persistem atuando em nosso subconsciente, mesmo que seja apenas na eterna busca pelo final feliz.

Ao propor criar contos de fadas para adultos, Camila Fernandes abraça o lado sombrio de ser 'gente grande', reconectando-o com o ideário idílico-fantástico há muito deturpado pela mídia. É esse sentimento que Camila extravasa através da fala cortante de uma velha bruxa da floresta: "No final do outono, o vento corre depressa e conta muitas histórias. Todas verdadeiras. Nem todas bonitas."

Confesso que comprei o livro por indicação e, por isso, iniciei a leitura com altas expectativas. O que encontrei foi uma prosa limpa, muito bem ambientada e estruturada. Uma delícia de ler. A força das ideias representadas pode chocar incautos e ingênuos, mas esse parece ser exatamente o propósito do livro. Recomendo.

Paulo Fodra, arquiteto, designer, ilustrador, escritor e músico

10. "O bom autor é o que leva você a pensar febrilmente."
Engraçado voltar a ler sobre contos de fadas.

Engraçado porque leio desde que me conheço por gente através do meu pai, que sempre me dava algo novo para conhecer.

Mas sempre gostei da fantasia. Conto de fada é o que tem magia no meio das letras e principalmente em algo não muito percebido.

As lacunas de silêncio no que não é dito ou explicado demais.

Nessas lacunas eu posso criar o mundo do livro que estou lendo moldado aos meus pensamentos, conceitos prévios e ideias de fantasia. Conversava com meus amigos de recreio sobre o livro que lia e como imaginava aquele mundo, muitas vezes tão diverso do que o autor sequer tivesse pensado. Pensava eu.

Na internet, tive o apelido de Menestrel por gostar de tocar violão. Mas poucas pessoas viram além disso: o que era encoberto. Um menestrel dos contos de fadas. Isso foi há tempos.

Mas ele voltou. Comprei um livro da Mila Fernandes chamado Reino das Névoas. 

Acredito que o bom autor é o que instiga, aguça e leva você a pensar febrilmente enquanto lê porque é impossível não relaxar a mente para absorver todos os odores e texturas do texto.

Foi assim com este livro. Do prefácio ao final. Bem redigido. Contendo o coração da autora e seus riscos no papel. Papel que sangrou em momentos fortes. 

Quando a primeira página se abriu e vi a ilustração do unicórnio, sabia que não poderia conter o menestrel.

Ele entrou nas páginas e acompanhou as narrativas fantásticas, quieto, tocando uma flauta para acompanhar o momento ou um violino em momentos mais dramáticos.

Ele viu a princesa da torre, cantou para o casal de caolhos e embalou o encontro entre Niev e o Lobo. Nada fez para mudar o que acontecia, mesmo ao sofrer pela brutalidade em alguns trechos.

Quando tudo terminou, voltei para mim. Feliz pela viagem e por poder dizer que estive em paragens da sua mente.

Mila, obrigado pelas lacunas deixadas como portas para que eu entrasse nessa viagem... de sonho e pesadelo... mas, principalmente, de redescobrimento.

Parabéns e... o próximo virá quando? O menestrel já pensa em voltar a viver... 
Fabio Luiz Silva, ilustrador


9. "Os contos envolvem o leitor."
Capa linda, diagramação ótima e bom material impresso. Assim é a parte física de "Reino das Névoas – conto de fadas para adultos", da escritora paulista Camila Fernandes, lançado recentemente pela Tarja Editorial. Já a parte literária da obra, seu espírito, não se resume em apenas três quesitos.
Somos alertados desde a capa, passando pela contra-capa e orelha, que o livro não é para crianças, são contos de fadas para adultos. Eu não gosto dessa palavra: adulto. Não sou mais adolescente, mas também não sou e nem quero ser adulto, mas sim um eterno jovem de espírito, ideais e pensamentos. Responsabilidades de um adulto já tenho, mas isso é detalhe…
O livro da Mila tem sete contos envolvendo elementos de contos de fadas, tratados de maneira diferente da que conhecemos desde pequenos e contamos às crianças que nos rodeiam. As histórias mostram que lição de moral não se dá somente com o bem vencendo o mal, ou com os inocentes sempre a salvo.
O primeiro conto, “Chifre Negro”, fala sobre uma princesa em busca da salvação da vida de seu pai, cuja solução está no chifre de um unicórnio. Dividido em 5 capítulos, o conto é desenvolvido de maneira envolvente e com um final supostamente inesperado.
Já em “O Lenhador e a Sombra”, vemos um homem comum, de bom coração, que cortava lenha e, certo dia de trabalho, se deparou com uma gata prenha e presa em uma armadilha. Desde então, uma relação nasceu entre eles, surgindo como consequência algumas aprendizagens e sombras.
“Na Outra Margem do Rio” mostra dois amantes, Haric e Merissa, vivendo em margens diferentes de um mesmo rio. Leste e Oeste. Certo e errado. O destino e a bruxaria lhes pregam peças e a magia do amor vence a desigualdade. Em “A Torre Onde Ela Dorme” conhecemos uma ótima trama com o príncipe Yten, a princesa Hora e a aia Miren. Em segundo plano, o rei, o sábio e o herdeiro que, juntando aos principais, formam uma história que prende o leitor até o final, que é simples e certo.
No conto “A Filha do Fidalgo”, a autora nos apresenta uma princesa; o único perigo que percebia era o tédio. Certo dia um sapo aparece em seu quarto. Aí vocês podem imaginar o que acontece, certo? Errado! Surpresa ao leitor com o desfecho cômico.
Em “A Espera”, temos uma castelã à procura de seu príncipe, que um dia chega e mostra a verdadeira face do amor a ela. Um conto legal, mas comum… e diferente ao mesmo tempo, apenas por misturar prosa e poesia.
Para fechar o livro, temos o conto “Reino das Névoas”, em que o envolvimento com a história é bem maior. Uma mistura de aventura, suspense e toques de erotismo – o mais adulto de todos os contos da obra –, ele conta a trama vivida pela princesa Niev e a rainha Nuura. Guerra e política são debatidas ao longo do conto, com histórias dentro da história principal, fazendo com que o leitor perceba os acontecimentos de maneira mais ampla e compreenda o que está por trás de tudo.
Os sete contos de Reino das Névoas mantêm os elementos básicos dos contos de fadas tradicionais, como a ambientação em reino, castelo, mata, bosque; assim como personagens clássicos como princesa, príncipe, rei, bruxa, vovozinha, anões, lenhador, caçador e soldado. Outro elemento presente são os animais: sapo, cavalo, gato, unicórnio e lobo.
Ao mesmo tempo que as narrativas são comuns, a maioria delas tem um toque especial. Algumas com passagens mais adultas, outras com um final alternativo. Destaco dois contos: “Na Outra Margem do Rio” e “Reino das Névoas”, que dá título ao livro. Por fim, "Reino das Névoas – contos de fadas para adultos" é um bom livro, entretém, às vezes diverte e oferece curiosidade ao longo da sua leitura.
O subtítulo da obra instiga muito o leitor, que lê os contos com pensamentos indicados a ações que nem sempre aparecem em cada história. Os contos são bem escritos, como eu disse, envolvem o leitor. As ilustrações que os antecedem também são lindas, chamam a atenção dos olhos. As histórias possuem uma névoa ao fundo que nos indica diversos caminhos e interpretações, fazendo com que o reino que conhecemos torne-se sombrio e longe da perfeição.
Cristiano Rosa, crítico literário, escritor e professor graduado em Letras
8. "Camila é culpada com mérito."
As fábulas de La Fontaine eram contadas na Corte para entreter os nobres. Os contos dos irmãos Grimm foram coletados da tradição oral de camponeses alemães, e eram, então, histórias passadas de geração a geração, tendo, à época, desenlaces bem mais ácidos do que a versão açucarada que vemos hoje nas cores da Disney. 
Bruno Bettelheim, em seu Psicanálise dos contos de fadas, expõe a versão original de contos hoje tão populares, como Bela adormecida e Chapeuzinho vermelho, trazendo à tona sua face contundente, bem mais fiel à psique humana, em que, por haver luz, há sombras.
É com muita propriedade que Camila Fernandes (@milaf) avisa em seu livro: “contos de fadas para adultos”, alertando não apenas para a origem do conto de fada, mas também para o teor surreal e cortante que ela revive. E ela não é inocente. Camila é culpada com mérito. Ela confessa sua premeditação em introdução: “O mundo é cruel. Tomem cuidado”. Sua pena segue a mesma exatidão da lâmina.
Camila narra as histórias com a sonoridade dramática própria desses contos, e, também seguindo o modelo original, traz em cada um deles uma moral. Cada conto é acrescido de uma bela ilustração, obra também da escritora.
O título, Reino das Névoas, é perfeito por ser aguçado, simples, direto. Nas névoas reside o que está escondido, adormecido ou à espreita. A magia do desconhecido nos enfeitiça durante o dia e nos assombra à noite.
Meu conto preferido é “A outra margem do rio”, gostei da história e, embora pudesse supor seu final, nunca teria certeza de qual rota a escritora tomaria. Camila, já disse isso a ela, é imprevisível em suas narrativas e tem o hábito de não ter dó de seus personagens. Esses são os ingredientes iniciais essenciais para uma boa história. Se me permite a sugestão, melhor ainda seria se explicasse cada vez menos, deixando seus leitores sem muita informação sobre o que seus personagens pensam. Que criasse antagonistas com um passado desconhecido pelo leitor, que se desenrolassem a ponto de quase comprimir os demais personagens, como os Jacks de Neil Gaiman em The Graveyard Book. Que se deliciasse com as maldições sem solução, as bruxas e os gatos.
O livro teve apoio do Proac, programa de incentivo da secretaria de estado da cultura, de São Paulo, o que traz para a obra mais credibilidade sobre sua originalidade e criatividade. E foi produzido em parceria com a editora Tarja, essencial para uma boa divulgação e distribuição da obra; parabéns ao editor e também escritor Richard Diegues pela publicação da obra e por sua palavras na orelha da capa.
Erica Bombardi, escritora e produtora editorial

7. "Contos encantadores e assustadores."
Li o livro da , "Reino das Névoas". Muito bom, contos bem encantadores e assustadores e as ilustrações que acompanham são fantásticas.
Giseli Ramos, engenheira e programadora


6. "Difícil de largar, muito bem escrito."
Li seu livro em "duas sentadas" - comecei na noite do dia em que comprei e terminei quando acordei no dia seguinte. Difícil de largar, muito bem escrito, personagens muito "reais" e ilustrações lindíssimas do alterego Mila F.
Adriana Tschernev, empresária e vice-presidente da ONG Confraria dos Miados e Latidos

5. "Não quero que acabe!"
Mila... tô apaixonada pelo seu livro! Já tô mais da metade, mas ando economizando a leitura pra não acabar logo! Sempre tenho essa síndrome quando amo o que estou lendo!
Não quero que acabeeee... Cadê os próximos???
Demais, viu? Já era fã, agora, mais ainda! 
Juliana Preto Oliveira, atriz e voluntária da ONG Confraria dos Miados e Latidos 


4. "Não pare!"
Acabei de ler "Reino das Névoas", da Mila Fernandes. Não sou de fazer resenhas, mas tenho que falar algo.


Preciso dizer que esse livro é sensacional! Comecei a leitura ontem à noite e só parei porque precisava dormir, senão teria continuado madrugada adentro, já que a vontade era não parar até terminar. 
A prosa é deliciosa, poética, sutil e feroz ao mesmo tempo. E as ilustrações são lindas e delicadas, em especial a d'O Chifre Negro, minha preferida.


Mila, parabéns pelo belíssimo trabalho e, please, não pare! 
Alliah Art Insane, artista plástica, desenhista e escritora

3. "Uma das capistas mais talentosas do Brasil."
Escritora e ilustradora, Camila Fernandes se destaca em várias áreas envolvendo criação e é uma das capistas mais talentosas no Brasil. Já produziu muitos trabalhos maravilhosos, especialmente entre publicações de literatura fantástica, como a capa da primeira versão do livro Kara e Kmam (que foi publicado pela Tarja, antes da Aleph), a qual imortalizou a beleza dos protagonistas da saga Alma e Sangue de Nazarethe Fonseca.
Anny Lucard, produtora do programa Contos Sobrenaturais, da rádio Digital Rio

2. "Estou amando!"
Mila Fernandes, chegou o livro, não resisti e comecei a ler, estou AMANDO!!! Parabéns!!! Nesta noite acho que o devorarei todinho! 
Marilena Saito, ilustradora


1. "Histórias perfeitamente brutais e belas."
O tão esperado livro solo da Camila – Reino das Névoas – é uma coletânea de contos de fadas. Mas não se iluda, estamos falando do contos de fadas para adultos! Isso mesmo. E não quer dizer que se trata de literatura erótica, não. O Reino das Névoas traz contos de fadas inéditos que tratam de aprendizado, amadurecimento e desafios da vida adulta. As 7 histórias do livro são perfeitamente brutais e belas: trazem o melhor das narrativas clássicas de faz-de-conta, ao mesmo tempo em que rasgam de alto a baixo a inocência e ingenuidade associadas a esse universo. A obra é toda ilustrada pela autora – um verdadeiro colírio! Além do mais, esse livraço já nasceu premiado: ganhou nada menos do que a bolsa de incentivo ProAc, da secretaria de cultura do governo de São Paulo!


Leia, leia!! Você não vai se arrepender! 
Cristina Lasaitis, escritora, revisora e pesquisadora biomédica